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Agronegócio argentino teme retrocesso com vitória do peronista Alberto Fernández

argentina 07ee2a96530513c97f345859d813e5b8O setor produtivo da Argentina está reavaliando todas as suas estratégias depois do resultado das eleições presidenciais no último domingo (27). O candidato Alberto Fernández levou a presidência de Maurício Macri e traz junto como sua vice, a ex-presidente Cristina Kirchner. E quando presidente, Cristina teve sérios problemas com o agronegócio argentino, incluindo produtores rurais, entidades de classe e e instituições.

A Sociedade Rural Argentina (SRA) já se posicionou dizendo que espera que o novo governo permita que o setor "produza sem distorções", segundo noticia o portal local Infocampo. Afinal, a instituição já havia declarado, durante a campanha, seu apoio a Macri, que visava o fim das chamadas 'retenciones' até 2021. Desde que foi eleito, o presidente já vinha reduzindo a porcentagem das tarifações, o que sempre foi uma de suas promessas de campanha.

"Nossa expectativa é alcançar, por meio de um diálogo responsável, no marco do respeito à Constituição Nacional, as liberdades e formas do modelo republicano e com base em políticas apropriadas que nos permitam fazer o que sabemos melhor no campo: produzir sem distorções, sem obstáculos ou intervenções de qualquer tipo, gerando trabalho e desenvolvimento no território nacional ”, afirmou a SRA em seu posicionamento na sequência do fim das eleições.

Carlos Achetoni, presidente da Federação Agrária da Argentina, por meio de um comunicado enviado à imprensa local, parabenizou Alberto Fernández pela vitória e disse que "o diálogo está aberto e que os produtores estão dispostos a trabalhar ainda com os pequenos e médios agricultores". Falou ainda em trabalho articulado e cooperação para os próximos anos.

O Infocampo trouxe ainda um balanço dos números oficiais da eleição mostrando como votou o campo e na maior parte da região produtora Macri teve mais votos que Fernández. O atual presidente obteve virtória em Córdoba, Santa Fé e Entre Rios, enquanto o presidente eleito foi o favorito nas províncias de Buenos Aires e La Pampa.

A agência internacional Bloomberg trouxe em manhchete que o resultado das eleições presidenciais pode ser "um golpe para os produtores". Ainda segundo a agência, agora os investidores no campo argentino esperam pelas mudanças nas políticas públicas destinadas ao setor e espera mais clareza sobre elas.

O que se espera, afinal, é que o novo governo, como é típico dos peronistas na Argentina, traga mais intervenção nos diversos setores da economia, como alguns programas que já foram anunciados. Entre eles estão o congelamento de preços, aumento de salários - em um momento em que o país luta para cumprir seus compromissos com o FMI - a redução do limite de compra de dólares de US$ 10 mil para US$ 200 por mês por pessoa, como já foi anunciado pelo Banco Central.

MAIS TRIBUTOS

A Bloomberg destaca ainda mais a questão das tributações e afirma que os produtores rurais esperam que o governo Fernández aumente as tarifas sobre exportações agrícolas e de carne, aumentando a arrecadação em cerca de US$ 20 bilhões no ano para um fundo social destinado ao pagamento de dívidas de serviços e gastos sociais.

Já nessa expectativa, os produtores rurais têm incrementado suas vendas para os traders, evitando os tributos mais altos. Dessa forma, o ritmo das vendas está duas vezes maior do que o normal. Atualmente, as exportações de soja já são taxadas em 25% e o milho, o trigo e a carne bovina em 7%.

TRIBUTOS X EXPORTAÇÕES

O presidente eleito já se posicionou sobre um desejo de aumentar as exportações argentinas. Por outro lado, afirma, ao lado de demais membros de sua equipe que se preocupa com o fato de as exportações fortes provoquem altas intensas nos preços internos dos alimentos, pesando ainda mais sobre a inflação que já é de 54%. Qualquer movimento do novo presidente, portanto, poderia provocar uma diminuição no bom ritmo dos embarques argentinos.

"Eu me preocupo com o caminho que estamos seguindo. Precisamos de acesso aos mercados globais", disse à Bloomberg o produtor rural Santiago Fernandez, de Córdoba.

Da mesma forma, se espera ainda que por conta dos custos menores para a produção de soja e diante de tantas incertezas, os agricultores argentinos se voltem mais à cultura da oleaginosa em detrimento de outras. À agência internacional, o consultor em agronegócios Gustavo Lopez disse que a Argentina "pode voltar a ter uma monocultura de soja".

FONTE: Notícias Agrícolas(Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja)