Notícias

Em cinco safras, custo da soja cresceu 61,5% no RS

Omar Freitas / Agencia RBSLevantamento feito pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado mostra que serão necessárias 47,72 sacas para pagar as contas no próximo ciclo

Os gastos do produtor gaúcho com duas das principais culturas de verão se manterão em alta no na safra 2019/2020, acompanhando curva de ascensão verificada nos últimos anos. Essa é a projeção da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro-RS). Um retrato feito com base no momento atual aponta que serão necessárias 47,72 sacas de soja para fazer frente às contas. No milho, o cálculo estima 152,79 sacas _ consideradas as áreas de sequeiro, ou seja, sem irrigação. Os dados levam em consideração rendimento médio de 60 sacas na soja e de 160 no milho.

Tarcísio Minetto, economista da entidade e responsável técnico pelo estudo, explica que boa parte da alta nos custos será alimentada pelo aumento nos insumos, que deverá ficar na média de 10% em relação ao ano passado. Em alguns itens, como os fertilizantes, a elevação passa de 20%, acrescenta.

— O custo de produção está voltado para cima. Infelizmente e teimosamente para cima — completa Paulo Pires, presidente da Fecoagro-RS.

Na comparação com o último levantamento feito pela entidade, que havia sido na safra 2014/2015, o custo total da soja subiu 61,5% e o do milho, 109,9%. Isso acabou reduzindo as margens do agricultor. Para se ter uma ideia, naquele ciclo, a rentabilidade da soja era de 17,4 sacas e a de milho, 10,98. Hoje, encolheu para 12,28 na oleaginosa e 7,21 no grão.

Daqui para a frente, muita água ainda vai rolar até a implantação da próxima safra. E há fatores que poderão alavancar os preços dos grãos, ajudando a equilibrar mais as contas. É o caso da situação do atraso no plantio nos Estados Unidos, com projeções de perda, em especial no milho, cuja janela de semeadura já fechou. E também da variação cambial e dos estoques, variáveis que poderão ajudar a sustentar valores.

— Esses dados são uma referência. O produtor deve aproveitar as janelas de oportunidade — orienta Minetto.

Sobre o próximo ciclo, o presidente da Fecoagro estima que "será favorável ao milho, em razão quebra nos Estados Unidos". Esse ambiente favorável ao grão produzido no Brasil poderá fazer com que a área dedicada à cultura no RS cresça, avalia o dirigente.

FONTE: GaúchaZH-Campo e Lavoura(GISELE LOEBLEIN)