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Herbicida 2,4-D: podemos culpar a molécula pelas derivas?

O herbicida 2,4 D é utilizado para o controle de ervas daninhas ou plantas infestantes, como corda-de-viola e trapoeraba. É um produto que garante a tranquilidade dos produtores rurais. O produto tem aprovação em 100 países como Estados Unidos, Argentina, Alemanha, França, China, Canadá e Japão. No Brasil, foi aprovado nos anos 1970 e pode ser aplicado em diversas culturas, como aveia, arroz, café, cana-de-açúcar, centeio, milho, pastagem, soja (dessecação em pré-plantio).

Nos últimos meses houve relatos em que afirmam que o uso do herbicida na soja poderia estar causando prejuízos para produtores de uva no Rio Grande do Sul.

De acordo com o professor Marcos Vilela, as exoderivas, ou sejas aquelas que saem da área de aplicação tem alcance limitado se obedecidas às condições de aplicação.

“As aplicações de produtos já registrados no Brasil a base de 2,4-D, se as condições meteorológicas forem respeitadas, com vento entre 3 – 10 km/h, umidade relativa superior a 50%%, temperatura abaixo de 30 graus Celsius e tamanho de gotas adequado conforme a bula tem um alcance limitado e previsível de até 200 metros. “

Porém, há um fenômeno conhecido como inversão térmica que pode levar as derivas a maiores distâncias. A inversão se caracteriza pelo aquecimento das camadas superiores em relação as mais próximas do solo que provoca a suspensão das gotas menores que 150 micra e estas podem ser carregados por longas distâncias lateralmente até que o aquecimento das camadas inferiores faça com que esse produto se deposite.

O agrônomo e consultor do Portal Agrolink, Josué Verba, ressalta que não existe um uso desenfreado do 2,4-D. Este herbicida tem uma aplicação em pré-emergência para cultura da soja. “Ele realmente tem uma grande importância no manejo dos complexo de plantas daninhas de folha larga ou dicotiledôneas - seguindo as doses estipuladas pelo fabricante. A soja é sensível ao 2,4-D e doses maiores que as recomendadas podem causar problemas de resíduos para cultura. Além disso há uma ideia errada que os agricultores querem usar mais defensivos, há uma curva de resposta ao uso desses produtos, aumentar as doses indiscriminadamente não aumentaria a eficiência e assim acarretaria custos maiores”, ressalta Verba.

A Iniciativa 2,4 D, que é formada por representantes da Corteva Agriscience™, Nufarm e Albaugh e tem o propósito de defender o uso adequado das tecnologias de aplicação e dos Equipamentos de Proteção Individual, promovendo a segurança humana e ambiental para termos uma agricultura efetiva. Em nota oficial, a Iniciativa 2,4 D afirmou que a molécula comercializada no Brasil é a base de formulação Amina e apresenta a vantagem de não ser volátil, o que aumenta a segurança de seu uso correto. Por questões técnicas, a formulação Éster, que é volátil, de cadeia curta foi retirada do mercado brasileiro em 1999.

“Quanto ao potencial que a deriva do 2,4-D pode causar em culturas sensíveis próximas, reforçamos que o tamanho da gota, a temperatura e a umidade do ar associados à velocidade e à direção do vento interferem diretamente na aplicação. Como a formulação amina do 2,4-D comercializada no Brasil não é volátil, é improvável que atinja outras lavouras por volatilização”

Os problemas de fitotoxicidade proporcionados em culturas sensíveis são causados pela deriva aerotransportada, que ocorre quando o produto se move para fora do alvo por condições climáticas desfavoráveis ou caso os equipamentos estejam em condições inadequadas de uso.

É importante citar que qualquer herbicida aplicado em condições indevidas está sujeito à deriva e os consequentes efeitos, seja ele volátil ou não volátil. Como todo defensivo agrícola, o herbicida 2,4-D deve ser utilizado seguindo as recomendações técnicas que permitem o uso seguro, ou seja, é importante ter pessoal especializado e treinado na aplicação dos defensivos agrícolas, alfabetizado, para ler e entender os rótulos dos produtos, e principalmente um técnico para acompanhar as aplicações.

É importante fazer o uso do herbicida nas doses corretas, identificar os alvos e melhor estádio para controle das espécies daninhas presentes e horário da aplicação.
FONTE: AGROLINK(Aline Merladete)