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Bloqueio da China à soja dos EUA veio para ficar

Principal fator baixista pesando sobre as cotações da Bolsa de Chicago, o bloqueio comercial imposto pelos chineses à soja norte-americana não é um movimento novo, isolado e veio para ficar. A avaliação é do economista e consultor internacional William W. Wilson, professor emérito do Departamento de Agronegócios e Economia Aplicada da Universidade do Dakota do Norte (Estados Unidos).

“É um erro enorme crer que estamos diante de um fenômeno de curto prazo; tanto nesta safra como nas próximas as importações chinesas de soja americana serão nulas”, alertou o especialista em conferência proferida nesta terça-feira (3.10) na cidade de Buenos Aires (Argentina) organizada pela empresa Nóvitas.

“Já no final do ano passado os chineses haviam começado a colocar mais exigências sobre o nível de proteína e requisitos fitossanitários da soja proveniente dos Estados Unidos. Pode-se dizer que este foi o primeiro antecedente da atual guerra comercial”, relembrou Wilson. Ele lembrou que os maiores importadores chineses começaram a comprar soja de origens alternativas, tais como África e Rússia.

Paralelamente, os asiáticos iniciaram a busca de fontes alternativas de farinhas proteicas, como pellets de colza canadense ou de girassol ucraniano. No entanto, Wilson acredita que esses fornecedores ainda precisarão de muito tempo para atender toda a demanda da China: “Para que a Rússia se torne um competidor de certa importância será preciso pelo menos de 10 a 12 anos”.

Na visão do consultor, as medidas de ajuda aos produtores norte-americanos afetados pela guerra comercial com a China viola o novo acordo comercial firmado com o México e Canadá. “Não é legal abonar um subsídio desta magnitude (US$ 60 por tonelada) aos produtores americanos. Em algum momento o governo Trump vai ter que reconhecer que esse subsídio não vai poder ser distribuído”, concluiu.

FONTE: Agrolink(Leonardo Gottems)