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Fertilizantes travam no porto e safra de verão fica ameaçada

Às vésperas do início do plantio da safra de verão em todo o Brasil, produtores têm motivos de sobra para ficarem preocupados com a produtividade. Segundo o Sistema Ocpear (Organização das Cooperativas do Paraná), é preocupante o volume de fertilizantes e componentes químicos utilizados para este preparo que chegou ao Porto de Paranaguá nas últimas semanas, mas que estão sendo estocados compulsoriamente por lá nas baias das empresas que os compraram.

O motivo está na insegurança jurídica provocada pelo tabelamento do frete que agora é lei sancionada pelo presidente Michel Temer e com aplicação de multas para quem o descumprir. Como o frete do porto para o interior costuma ser mais barato, por ser uma viagem de volta ou o chamado frete retorno - geralmente o caminhão vai carregado com grãos para a exportação e na volta traz os fertilizantes, por exemplo -, o risco jurídico de se praticar valores abaixo da tabela espantou embarcadores e transportadores, sobretudo os autônomos.

Segundo o gerente técnico e econômico da Ocepar, Flávio Turra, a situação do Paraná é de certo modo um pouco mais tranquila, mas não menos preocupante. Aos poucos as cargas estão chegando ao seu destino final. Isso porque os chamados fretes de retorno estão mais regulares do que para outros cantos do País e são menos impactados pelos valores pelo fato de a distância a ser percorrida ser menor.

Por outro lado, a situação mais grave fica para o Centro-Oeste brasileiro, o maior produtor de grãos do País. “Boa parte dos fertilizantes que será usada na safra de verão no Mato Grosso, em Goiás e no Tocantins não consegue sair do porto [de Paranaguá] por conta do preço do frete. No Paraná está se pagando mais pelo fertilizante, o agricultor continua adquirindo o produto, mas em quantidades menores. Isso significa que nesta safra teremos certamente uma redução de produtividade provocada pela diminuição no uso de fertilizantes”, afirma, ao reforçar que isso ocorre primeiro porque o produto não chega ao seu destino e segundo que, para chegar, tem custado muito mais e ninguém quer pagar a conta.
FONTE: O PARANÁ