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Soja: $ bate em R$ 3,96 e estimula novos negócios no BR, principalmente da safra nova

Os preços da soja no mercado brasileiro foram amplamente beneficiados pela alta do dólar nesta segunda-feira (20), na medida em que a moeda norte-americana alcançou neste primeiro pregão da semana seu mais elevado patamar em dois anos e meio e chegou a bater nos R$ 3,96.

O dólar terminou o dia com alta de 1,10% e valendo R$ 3,9577, puxando os preços nos portos, principalmente nas referências da safra nova. Em Paranaguá, a referência fevereiro/19 fechou o com R$ 86,00 por saca, batendo, nos melhores momentos, em algo entre R$ 87,00 e R$ 88,00. Já a soja disponível ficou estável nos R$ 92,00.

Em Rio Grande, alta de 1,09% no spot, para R$ 92,50, e o indicativo setembro/18 batendo nos R$ 93,00, com ganho de 0,54%.

E como explicou o analista de mercado da Agrinvest Commodities, Marcos Araújo, bons volumes de negócios puderam ser observados nesta segunda-feira, com os produtores aproveitando essa disparada do câmbio e mais as altas fortes que foram registradas mais cedo em Chicago, que chegaram a superar 1% - ou 10 pontos - nos principais vencimentos.

"E eu fico confortável para indicar vendas de cerca de 20% da safra nova nesses patamares de preços", diz Araújo.

O forte avanço do dólar veio na sequência da pesquisa CNT/MDA mostrando o ex-presidente Lula, mesmo ainda preso e inelegível, na primeira colocação, com 37% das intenções de voto. "Qualquer candidato que mostre crescimento melhor que Alckmin vai fazer preço", afirmou o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva à agência de notícias Reuters.

No interior do país, os ganhos foram bem pontuais, e maior parte das preças de comercialização pesquisadas pelo Notícias Agrícolas mantiveram sua estabilidade no fechamento dos negócios desta segunda-feira.

Mercado Internacional

No início do dia, o mercado da soja na Bolsa de Chicago subia forte ainda diante das notícias de um possível acordo entre China e Estados Unidos mais próximo, com a chegada de uma nova delegação chinesa a Washington no final do mês.

A intenção é que se coloque um fim disputa tarifária, permitindo que a volta da China às compras de soja no mercado norte-americano - que já é uma necessidade iminente - aconteça de forma mais tranquila.

"Eles têm de resolver essa batalha porque a China precisa da soja americana no quarto trimestre, embora o mercado chinês esteja, neste momento, sob pressão por conta de uma pontual e temporária situação de excesso de estoques e de notícias de gripe suína", explicou um trader de soja de uma companhia estrangeira à Reuters Internacional.

A força natural da demanda global por soja - que cresce de 10 a 15 milhões de toneladas por ano - deverá ser o fiel da balança nesse momento em que crescem as preocupações em torno da chegada da nova safra dos EUA. Embora superestimados pelos analistas de mercado, os últimos números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos)projetam a colheita 2018/19 do país em mais de 124 milhões de toneladas e assustou o mercado, mesmo que de forma bem pontual e temporária.

"O mercado é altista. Não, não veremos uma nova explosão de preços, mas há um viés de alta, com os preços voltando, pelo menos, para o intervalo de US$ 9,00 a US$ 9,50 por bushel", acedita o consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze. "A demanda global é muito forte e logo a China terá que voltar a comprar nos EUA", completa.

Além disso, hoje o mercado da soja ainda recebeu também a notícia de bons embarques semanais de soja, com números dentro do esperado, de acordo com números trazidos pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Na semana encerrada em 16 de agosto, os EUA embarcaram 639,001 mil toneladas de soja, volume maior do na semana anterior, mas dentro das projeções que variavam de 600 mil a 790 mil toneladas. No acumulado da temporada, 54.591,229 milhões de toneladas já foram embarcadas pelos americanos, contra pouco mai sde 56 milhões do ano passado, nesse mesmo período.

FONTE: Notícias Agrícolas(Carla Mendes)