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RS pode ter melhor safra de trigo do Brasil

“Se as chuvas continuarem por alguns dias, mas não ocorrerem na colheita, o Rio Grande do Sul poderá ter uma excelente safra, bem melhor do que as estimativas conservadoras dos órgãos públicos estão anunciando”. A projeção é feita pelo analista da T&F Consultoria Agroeconômica, Luiz Fernando Pacheco.

“Nossa estimativa, corroborada por alguns analistas de expressão no estado, gira ao redor de 1,8 milhão de toneladas, podendo, eventualmente chegar até 2,0 MT, se a estimativa da Emater-RS, de uma produtividade de 3.000 kg/hectare se confirmar e se não ocorrerem danos climáticos até o final da colheita em novembro (há 60% de chance de ocorrer El Niño, então, alguma parte da safra poderá ser afetada)”, explica.

Segundo ele, esta análise vale também para Santa Catarina: “Recebemos hoje o relatório da Epagri/Cepa de agosto que afirma que lavouras estão com excelente aspecto e bom desenvolvimento agronômico. Ainda segundo a Epagri, foram plantados no estado 54.222 hectares, que deverão ter uma produtividade média de 3.223 kg/hectare, produzindo cerca de 174.760 toneladas”.

No Paraná, por outro lado, a “coisa está feia”, na avaliação de Pacheco. “Encontramos lavouras muito atrasadas na região de Ponta Grossa (nem perfilharam ainda), muita aveia onde antes era trigo no meio do estado e lavouras com trigo espigado na região de Apucarana, mas com perfilho pequeno, não muito desenvolvido, fruto da falta de chuvas. O Deral já oficializou uma quebra, por enquanto de 400 mil tons, ou 12% da estimativa inicial, baixando a sua projeção do potencial produtivo para perto de 2,94 MT”, conta ele.

“Quais as consequências disto? Isto significa que poderá haver uma corrida aos trigos do RS e de SC que, em princípio, era para sofrerem excesso de oferta, mas que poderão reverter esta tendência, principalmente se a qualidade for boa, diante da procura em potencial. E por que esta procura? Porque todos sabemos que a safra de trigo brasileiro será curta (não mais do que 5,3 MT para uma necessidade mínima de 10,8MT, havendo necessidade, então de se usar trigo importado num volume de 5,5MT (a Conab fala em 6,3/6,5MT e o USDA fala em 7,0MT, mas incluindo farinhas)”, sustenta.

“Assim como também sabemos das quebras do trigo nos principais países produtores e exportadores mundiais (agravadas nesta sexta pela possibilidade de suspensão da exportação russa, maior exportador mundial). Com isto, os preços do mercado internacional subirão muito (já começaram hoje), com reflexos sobre o mercado interno brasileiro de trigo”, conclui Pacheco.
FONTE: AGROLINK(Leonardo Gottems)