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Emater estima safra de verão 10% menor

graos producaoVinda de cinco safras crescentes seguidas, a produção gaúcha de grãos deve finalmente recuar em 2017/2018. Segundo a estimativa da Emater-RS, os campos do Rio Grande do Sul devem produzir 29,9 milhões de toneladas na próxima temporada, 10,09% a menos do que as 33,3 milhões de toneladas colhidas na última safra. A área plantada deve crescer 1%, para 7,578 milhões de hectares, mas um novo recorde esbarra na produtividade excepcional da última safra. Enquanto a intenção de área plantada é levantada junto aos produtores, a estimativa da Emater-RS quanto à produtividade é feita com base em uma média ponderada das encontradas nos últimos 10 anos.

O presidente da Emater-RS, Clair Kuhn, ressalta que o modelo é confiável, lembrando que a estimativa da entidade no ano passado errou apenas 0,5% em relação ao número consolidado após a colheita. "Com as médias, conseguimos contemplar as adversidades de clima e mercado. Se fizéssemos a comparação apenas em cima da safra passada, teríamos uma margem de erro muito grande", explica o diretor técnico da Emater-RS, Lino Moura. Isso porque a última temporada, por ter sido quase perfeita, é classificada como "fora da curva" por Moura. Engenheiro agrônomo da instituição responsável pelos estudos conjunturais, Gianfranco Bratta acrescenta que, pelo menos pelo lado do clima, a tendência atual é de neutralidade - ou seja, por enquanto, a meteorologia não prevê grandes problemas para a safra.

Apesar disso, a diminuição no preço das commodities de maneira geral no último ano também ajuda a baixar a expectativa da produção. "A rentabilidade menor não só desestimula a área do plantio, mas também impacta a produtividade, pois os produtores tendem a segurar na tecnologia, usam menos adubo e sementes que talvez não sejam as de ponta", acrescenta Moura. O preço é o principal fator para a queda mais expressiva entre os grãos, que é a esperada para o milho. A área plantada do cereal deve cair 11,65%, e, se confirmada a previsão da Emater-RS, a produção diminuirá 23,8%, atingindo 4,6 milhões toneladas.

O terreno deixado pelo milho, claro, não ficará vazio: seus campos serão ocupados principalmente pela soja, cuja área crescerá 3,16%, desfazendo, de certa forma, a tendência no sentido contrário da última temporada. Bratta argumenta que, onde é possível, a decisão do produtor é feita com base no preço da saca de ambos os grãos: a opção pelo milho se dá quando a saca da soja está no máximo duas vezes mais cara do que a do milho, pois a produção da oleaginosa é mais cara. Atualmente, o preço da soja está até três vezes acima, mais do que compensando a diferença nos custos de produção.
FONTE: JORNAL DO COMÉRCIO