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TRIGO: Baixa histórica nos EUA pode beneficiar Brasil

Caso os produtores brasileiros de trigo saibam tirar proveito da situação – As revisões da safra de trigo norte-americana anunciadas na última sexta-feira (1º.07) pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) podem significar boas notícias caso os produtores brasileiros de trigo saibam tirar proveito da situação – como fazem os argentinos. Essa é a avaliação do analista sênior da Consultoria Trigo & Farinhas, Luiz Carlos Pacheco.

Nos últimos dois dias, as cotações da Bolsa de Chicago já subiram 36 pontos (ou 6, 97%), e nos últimos 30 dias já dispararam 100 pontos. Tudo motivado pelo relatório do USDA que fixou a menor área de trigo nos EUA desde que começaram os registros em 1919: 18,49 milhões de hectares, contra 18,65 milhões/ha registrados em março último e 8,87% abaixo da área do ano passado.

“O fator positivo ajudou a elevar as cotações da Bolsa de Chicago e servirá de suporte para novas altas em potencial, mas o fator negativo poderá forçar alguns Fundos [de investimento] realizarem tomadas de lucro, fazendo as cotações retornarem. A plena eficácia ou não do fator negativo vai depender da evolução do consumo, principalmente das exportações americanas da atual temporada, que devem ser acompanhadas de perto para a determinação da tendência dos preços”, afirma Pacheco.

De acordo com ele, a revisão no panorama do trigo norte-americano abre a janela de exportação, sem subsídio, que não havia antes: “Até agora a única alternativa de comercialização para os brasileiros eram os moinhos. Mas isto não é automático, como a soja e o milho. O comprador internacional teria que primeiro vender para algum país comprador, geralmente por licitação. Então, é um processo demorado”.

“Por isso que a Argentina já está vendendo antecipadamente o trigo da safra 2018/19. As fortes altas dos dois últimos dias em Chicago projetaram os preços de exportação do trigo em grão para muito alto: cerca de R$ 720/t no interior do Rio Grande do Sul, contra R$ 680/t oferecidos pelos moinhos neste momento. O grande problema é que não se estabeleceu a cadeia necessária para isto ao longo dos últimos tempos (não se procurou a quem vender no exterior) e isto não pode ser feito de uma hora para outra”, aponta ele.

Pacheco conta que recomenda que se faça isso há tempos, e chegou até a entregar um projeto de exportação nas mãos das principais autoridades gaúchas: “Como de costume, o processo é lento e são perdidas muitas oportunidades. Todos querem resultados imediatos, poucos tem a hombridade de planejar o futuro como os argentinos (que já venderam 1,4 milhão de toneladas da safra que ainda estão plantando), ou os russos (que fizeram um planejamento de 20 anos para serem os maiores exportadores mundiais e o atingiram no 15° ano) ou os americanos, mestres do planejamento em tudo”.

“O que realmente está acontecendo no RS é que o mercado está retraído: os vendedores, porque querem preços maiores e os compradores porque estão reduzindo a moagem. Mas a saída é o mercado externo. O que não se pode é ficar de braços cruzados esperando que alguém venha resolver a situação para nós (o governo já se mostrou incompetente, como sempre)”, conclui.
FONTE: AGROLINK(Leonardo Gottems)