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Falsa-medideira: 8 fatos para combater a lagarta de forma eficiente

Lagarta Falsa Medideira, Chrysodeixis IncludensAs lagartas falsa-medideira são da espécies Chrysodeixis includens e recebem este nome por causa da maneira como se movimentam. Elas se deslocam de uma forma que é conhecida como “mede-palmo”. Isso significa que para movimentarem, as lagartas encolhem o corpo e formam um arco e depois esticam na direção que querem se deslocar. Mas de onde vem o “falsa” no nome popular? Na verdade, existe um outro tipo de lagarta que se movimenta de forma parecida. Elas são conhecidas como “verdadeiras medideiras” e são da família Geometridae.

A falsa-medideira é um inseto polífago, ou seja, se alimenta de vários tipos de plantas. “Ocorre em culturas como, soja, algodão, feijão, tomate, tabaco, repolho, quiabo, batata-doce, fumo, amendoim, girassol, entre outras. No Brasil existem relatos de ocorrência em mais de 73 plantas”, conta Jacob Crosariol Netto, pesquisador entomologista do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt).

1 – Como identificar o inseto?
Essas lagartas podem ser reconhecidas pela coloração esverdeada. Além disso, na fase larval possuem dois pares de falsas pernas na região abdominal, diferente de outras espécies da mesma família que têm quatro pares de falsas pernas.

2 – Sintomas
As lagartas falsa-medideira se alimentam do limbo foliar, denominação para a superfície das folhas. Elas têm um apetite muito voraz e causam grande desfolha nas plantas. Mas, preferem se alimentar somente do terço inferior, chamado de baixeiro, onde estão as folhas mais velhas. “Ao se alimentar a lagarta consome somente o limbo foliar deixando as nervuras da folha intactas, a folha fica com aspecto rendilhado”, explica Crosariol Netto.

3 – Prejuízos
Quando o nível populacional das lagartas falsa-medideira é muito grande na lavoura, a desfolha que causam é intensa e isso prejudica as culturas a realizarem a fotossíntese, que é responsável pela nutrição da planta e depende da área foliar. Esse processo compromete a produtividade, já que sem uma nutrição adequada a planta gera grãos de pior qualidade. “Em locais onde o nível populacional é muito alto, é normal observar plantas totalmente desfolhadas. Isso diminui o processo fotossintético da planta”, diz o pesquisador.

4 – Monitoramento
Medidas de controle só devem ser realizadas a partir dos dados da amostragem, por isso o monitoramento deve ser constante. Se o nível populacional da falsa-medideira atingir nível de ação, o produtor deve usar o método de controle que se baseia principalmente no uso de defensivos. “Culturas como a soja toleram um alto nível de desfolha, sendo que a perda de produtividade só ocorrerá em desfolhas severas, portanto é importantíssimo o monitoramento constante”, afirma Crosariol Netto

5 – Como tratar?
O principal método de controle para a falsa-medideira em grandes áreas é o controle químico, a partir do uso de inseticidas. Também podem ser usados controles biológicos, como parasitas de ovos do gênero Trichogramma. O pesquisador orienta que o uso de inseticidas menos seletivos deve ser evitado quando as plantas estiverem na fase inicial de desenvolvimento, porque eles podem criar um ambiente favorável para a multiplicação da praga. “Estes inseticidas além de atuar sobre a praga, atuam sobre insetos benéficos, predadores e parasitóides, diminuindo a população destes insetos nas áreas cultivadas”, explica Crosariol Netto.

Além disso, o pesquisador afirma que o plantio de soja seguido pelo plantio de algodão é prejudicial no combate à falsa-medideira, porque como são duas culturas muito contaminadas pela praga, favorecem a ocorrência do inseto. Caso haja a rotação entre soja e algodão, os restos culturais devem ser destruídos para não sirvam de abrigo ou alimento. O produtor também precisa estar atento a plantas “guaxas”, que são hospedeiras para o inseto. Dessa forma, reduz as chances que a falsa-medideira continue nas áreas cultivadas.

6 – Clima
A presença da falsa-medideira pode aumentar em climas mais secos, porque nessa situação diminui a ocorrência de fungos entomopatogêncios, ou seja, que são “inimigos” naturais dos insetos. No caso da soja e do algodão, em climas muito úmidos ocorre a aplicação de fungicidas para controlar doenças como ramulária, no algodão, e ferrugem asiática, na soja. Isso pode aumentar também a incidência da lagarta. “Esses fungicidas também atuam sobre estes fungos entomopatogênicos favorecendo a ocorrência da praga”, explica o pesquisador.

7 – Regiões mais afetadas
O Centro-Oeste brasileiro é a região que tem maiores índices da lagarta falsa-medideira. Crosariol Netto afirma que isso acontece por causa do plantio do algodão em segunda safra após a colheita da soja, o que aumenta as chances de desenvolvimento das populações do inseto. Outras regiões produtoras do Brasil como o “Matopiba” e o Oeste da Bahia também oferecem situações semelhantes para o desenvolvimento da lagarta.

8 – Novas tecnologias
Para a soja, foi liberada comercialmente a soja Bt de segunda geração. Essa soja transgênica é capaz de expressar duas proteínas que são inseticidas, as proteínas do tipo Cry. Já para a cultura do algodão, está previsto o lançamento de novas cultivares nos próximos anos que também irão expressar uma proteína inseticida, chamada de VIP3Aa20. “Provavelmente estas cultivares, tanto de soja, quanto de algodão, terão ação para a supressão de lagartas de C. includens”, afirma o pesquisador.

* trainee, com supervisão de Darlene Santiago

FONTE: sfagro