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Grãos iniciam a semana com pouca força na Bolsa de Chicago

Os futuros da soja iniciam a semana sem muita força na Bolsa de Chicago nesta segunda-feira (28) e, por volta das 7h50 (horário de Brasília) os principais vencimentos recuavam entre 1 e 5 pontos. Nos mercados do milho e do trigo, quedas também pouco expressivas, que não se chegavam a três pontos nos contratos mais negociados. 

O mercado internacional de grãos parece ainda buscar mais informações para definir um direcionamento mais claro para registrar movimentos mais expressivos. No próximo dia 8 de novembro, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga seu novo relatório de oferta e demanda após o mês de outubro em que o boletim não foi reportado. 

Essa espera, segundo alguns analistas, faz com que os investidores fiquem na defensiva, optando por atuar após as informações mais concretas sobre a nova safra norte-americana, com números principalmente sobre os estoques e a área no país. 

Principalmente no caso da soja, segundo explicou o consultor Liones Severo, do SIM Consult, o mercado de Chicago tem pouca representação para o mercado interno, uma vez que não representa a realidade no campo, especialmente no Brasil. A disponibilidade de soja brasileira é praticamente nula e o pouco produto que ainda há no mercado faz com que os prêmios no interior do país já chega a US$ 2,60 por bushel sobre os valores praticados na CBOT. 

Veja como fechou o mercado na última sexta-feira:

Soja: Preços no interior do Brasil são altos e compensam mais do que exportação

Apesar da queda de cerca de 10 pontos nos principais vencimentos desta sexta-feira(25) na bolsa de Chicago, a semana encerrou de forma positiva e os futuros da oleaginosa acumularam mais de 10 pontos de alta em relação à sexta-feira passada. Mas de acordo com o consultor da SimConsult, Liones Severo,  nesse momento, o mercado na Bolsa de Chicago tem pouca representação, uma vez que os prêmios para a soja disponível aqui no Brasil estão elevados e os  negócios estão muito diferentes da CBOT.  A alta do dólar também acabou favorecendo esse movimento positivo dos preços. 

Os ganhos no mercado interno, segundo explicam analistas, são reflexo da pouca disponibilidade de produto e de uma demanda ainda bastante aquecida, principalmente por parte da indústria brasileira. Resultado dessa demanda aquecida, os prêmios nos portos do país registram uma escalada de alta. "Essa escalada dos prêmios no mercado disponível já vem caracterizando uma entressafra aqui no Brasil", explicou Carlos Cogo, analista de mercado. 

Para o vencimento novembro/13, nesta sexta-feira (25), com os atuais patamares de Chicago, chegou a R$ 73,90 por saca, o que equivale a cerca de US$ 15,30 por bushel, e um prêmio de mais de US$ 2,40 por bushel. "Hoje o comprador interno está sendo forçado a pagar o equivalente ao preço no porto para poder manter sua soja no disponível e destinar para esmagamento, produção de farelo, óleo e biodiesel no mercado interno", afirma Cogo. 

Diante desse quadro, com os preços pagos no interior do Brasil compensando mais do que os valores dos portos, e uma soja que vem sendo disputada, os produtores brasileiros vêm segurando parte das suas vendas à espera de preços ainda melhores para comercializar e efetivar os negócios com o volume que ainda têm da safra 2012/13. 

Ainda de acordo com o analista, para que os preços nos portos valessem que a soja fosse destinada para exportação deveriam estar entre R$ 78,50 e R$ 79,00 por saca. "Praticamente não se tem negócio no porto desde a última segunda-feira (21). Temos um nível de preço no porto incompatível com o que há disponível no interior", explica. "Assim, essa soja será destinada para o comprador interno", completa. 

Para Cogo, esses prêmios mais altos também já indicam o início do mercado climático na América do Sul e essas informações tomando cada vez mais a atenção dos investidores. A Argentina ainda sofre problemas com a seca e as condições para o plantio no Brasil não estão completamente positivas. "As ofertas argentina, brasileira e paraguaia passam a ser fundamentais para atender a demanda mundial 2014".

A situação de produtores mais contidos se repete nos Estados Unidos também, uma vez que a colheita se encaminha para a fase final de desenvolvimento e eles já acreditam que possam encontrar melhores momentos de negociação mais adiante.  

Apesar do recuo registrado na sessão desta sexta-feira (25) em Chicago, o mercado encontra forte suporte na demanda, o que limitou as baixas e deverá dar folêgo aos preços para que continuem subindo na próxima semana, segundo explicam analistas. "Nos próximos dias, nós devemos atingir as 30,5 milhões de toneladas de soja dos EUA comercializadas de um volume de 37,2 milhões de toneladas estimadas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) para exportação no ano em que termina em 31 de agosto de 2014. Isso deixa o cenário bem apertado para os próximos meses", explicou o analista de mercado Mauricio Correa, do SIM Consult. 

Para o analista Eleandro Mori, frente a esse cenário, os preços que estão sendo praticados em Chicago acabam, portanto, não coincidindo com a realidade da relação ajustada entre a oferta e a demanda, a qual deverá se agravar nos próximos meses. "A demanda foi o que fez o mercado registrar essa valorização nas últimas semanas. Os preços poderiam ter ainda uma valorização mais expressiva, haja vista que os prêmios estão bem positivos e prêmio alta significa uma demanda forte. Assim, os preços em Chicago estão trabalhando abaixo daquilo que o mercado está sinalizando. Eu acredito que, para ser justo, o novembro deveria estar na casa dos US$ 13,50 e o maio/14 em US$ 13". 

Entretanto, apesar de estar de olho nos fundamentos, o mercado aguarda também pelos dados que o USDA traz no seu próximo relatório de oferta e demanda que será reportado em 8 de novembro. Esse será o primeiro boletim de oferta e demanda do departamento norte-americano após a paralisação do governo dos EUA, o que faz com que se torne muito importante para o mercado. O boletim de outubro não foi divulgado e os investidores ficaram sem as referências oficiais. 

Depois de três semanas sem trabalho, porém, Mori acredita que para o relatório do dia 8 o USDA ainda não tenha tido tempo de coletar todas as informações necessárias para refletir a realidade do cenário. "Com a paralisação do governo americano, o mercado acredita que não houve tempo suficiente para coletar todas as informações, então, pode ser que esses dados não esteja mostrando a real situação. Mas esse relatório é muito importante, já que atualiza dados de área também", explica.